22/10/2026 ás 09:33:40
Mulheres avançam na liderança do varejo e já são maioria nos cargos de liderança de 29 grandes empresas
Economia

As mulheres já são maioria nos cargos de liderança de 29 das maiores empresas do varejo brasileiro analisadas pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT). O dado integra o Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro 2026 e mostra que a presença feminina avança não apenas na força de trabalho do setor, mas também nos espaços de gestão e decisão.

Entre as empresas avaliadas, a Vivara apresenta a maior participação: 96% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Na sequência aparecem Grupo Grazziotin, com 81%; Usaflex, com 75%; Grupo Lins Ferrão, com 72%; e Farmácia Indiana, com 68%.

O movimento observado no varejo acompanha uma mudança mais ampla nas grandes empresas brasileiras. Levantamento Lideranças Plurais 2026, realizado pela B3 em parceria com o Instituto Locomotiva e divulgado em agosto, mostra que 70% das 290 companhias de capital aberto analisadas possuem ao menos uma mulher em seu Conselho de Administração. É a maior proporção registrada desde 2021, quando o indicador estava em 55%.

Nas diretorias estatutárias, a evolução também aparece. Atualmente, 51% das empresas listadas analisadas pela B3 contam com pelo menos uma mulher, contra 39% no início do levantamento, seis anos atrás.

Os universos analisados pelos dois estudos são diferentes, o IRTT observa grandes varejistas e a B3, companhias de capital aberto de diversos setores, mas os resultados apontam para uma mesma direção: a presença feminina começa a ganhar espaço justamente nos níveis mais altos das organizações.

Vivara lidera participação feminina no varejo

O levantamento do IRTT analisa três dimensões da presença das mulheres: participação no quadro total de colaboradores, cargos de liderança e Conselhos de Administração.

Na força de trabalho, a Lupo apresenta o maior percentual entre as empresas que forneceram informações, com mulheres representando 95% de seus 4.790 colaboradores. Vivara aparece em seguida, com 89%, à frente de Grupo Grazziotin, com 84%; Grupo Lins Ferrão, com 78%; e Veste, com 77%.

Quando o olhar se restringe aos cargos de liderança, porém, é a Vivara que assume a primeira posição.

Há também uma característica setorial. Entre as 50 companhias com maior participação feminina nos cargos de liderança, 13 pertencem ao segmento de moda, calçados e artigos esportivos e 11 são redes de supermercados.

Mulheres avançam também nos Conselhos

A mudança começa a aparecer ainda mais perto do topo das empresas.

Segundo o Ranking TOP 300, cinco companhias possuem pelo menos metade dos assentos de seus Conselhos de Administração ocupados por mulheres. A Giassi & Cia lidera esse recorte, com 75%, seguida pela Hope, com 57%. Cassol, Andorinha Hipercenter e Inbrands apresentam participação de 50%.

Na edição anterior do levantamento, apenas três empresas estavam nesse patamar.

O número de varejistas com pelo menos 40% de mulheres no Conselho de Administração também aumentou, passando de oito para 11 em 2025.

O avanço encontra paralelo nos dados recentes da B3. Além dos 70% das companhias listadas com pelo menos uma mulher no conselho, a presença feminina nas diretorias estatutárias também atingiu o maior nível desde o início do monitoramento.

Avanço não significa igualdade

Apesar dos sinais positivos, os indicadores mostram que ainda existe distância até uma participação equilibrada nos postos de decisão.

Dados divulgados pelo LinkedIn em 2026 mostram que as mulheres representam 45,2% da força de trabalho brasileira, mas ocupam 32,2% dos cargos de decisão. Em posições de vice-presidência, a participação cai para 22,3%.

O levantamento também indica que as contratações de mulheres para posições de liderança chegaram a 34,1% em 2022, mas recuaram nos anos seguintes e ficaram em 32,4% em 2025.

Os dados colocam em perspectiva os resultados encontrados entre as maiores varejistas. Ter 29 empresas nas quais as mulheres já são maioria na liderança é um sinal relevante de transformação, mas ainda representa apenas uma parcela do universo analisado.

O movimento nos Conselhos talvez seja ainda mais significativo. Afinal, é nesse espaço que estão algumas das decisões mais estratégicas sobre investimentos, expansão, sucessão e futuro das organizações.

A evolução registrada pelo IRTT e pela B3 mostra que a participação feminina nesses ambientes está aumentando. O desafio agora é fazer com que casos de maioria feminina na liderança deixem de ser exceções entre as grandes empresas e se tornem cada vez mais frequentes no varejo brasileiro.


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Fonte: Varejo S.A.
Escrito por: Alex Akira